terça-feira, abril 12, 2005

Quanto é um pão?

Padaria. Ao balcão de salgados:
- Moça, me dê dois pães por favor.
- Só estamos tendo pão doce, senhor.
- Então me dê um sonho mesmo.
- Pode escolher.
- Quero um sonho que possa ser vivido, que saia dos pensamentos, que a cabeça não exploda pensando nele. Um sonho que ultrapasse a barreira do travesseiro e a barreira das seis da manhã. Quero um sonho que possa contagiar outras pessoas, desde mendigos até doutores e mestres. Quero um sonho que tenha muito amor, um sonho que tenha misericórdia, que tenha carinho, compreensão, lindeza, leveza. Quero um sonho simples, que não se esvaia com o tempo nem com o vento. Um sonho que não se individualize, tampouco forme oligopólios. Um sonho utópico não utópico. Um sonho paradoxal e coerente. Um sonho que siga só uma lógica, universal. Quero aquele sonho, que ninguém sonhou em sonhar, que ninguém sequer sonhou que poderia ser sonhado, tampouco realizado.
Quero um sonho que sonhe comigo.
Quero que sonhem comigo.
Quero um sonho.
- Esse tem, mas acabou, senhor...
- Obrigado, boa tarde.
- Obrigada você